O futuro já começou

Foto: Reprodução

Na coluna anterior, deixei uma lacuna para falar sobre a Novum, plataforma de pesquisa de tendências e futurismo, que acabei de lançar. Além da curiosidade geral, há três mitos em torno disso: primeiro, as pessoas acham que “adivinhar o futuro” é ler cartas de tarô, búzios, e outras técnicas de esoterismo. Apesar de ter o máximo respeito por todas elas (afinal, adoro tarô), nesse caso não tem relação alguma. Estamos falando de ciência, estudos incansáveis e embasamento. Construção contínua.

Segundo: quando falo em tendências, lembram logo das cenas de “O Diabo Veste Prada” sobre estilo, mas preciso dizer que tudo, absolutamente tudo que você consome, tem (ou teve) a ver com o assunto. Até um corte de cabelo que você gosta “porque empina o nariz pra moda”, um dia foi tendência e só foi lançado no mercado por isso. Muito mais do que modismo, é questão de comportamento – isso sim é fundamental para toda essa pirâmide.

Terceiro: as pessoas sempre acham que futurismo tem a ver com um mundo ultra tecnológico, robotizado, ao estilo do filme “Matrix”. Bom, receio frustrar esse pensamento, mas, quando falo em futurismo, tudo envolve um processo complexo de pesquisas e metodologias científicas, pautadas na vida real, no “hoje”.

Cabe a nós, futuristas, traduzir aspectos do presente – seja em consumo, comportamento, ideologias e sonhos – para analisar os possíveis cenários para as próximas décadas, e assim traçar estratégias de mercado que sejam melhores para todos. O resto do que a fértil imaginação humana romantiza a respeito do assunto, é ficção.

Na Novum, a minha plataforma, fazemos esse trabalho em lifestyle: design, decoração e arquitetura, gastronomia, turismo, bem-estar, o futuro da cultura etc. Mas tratamos também dos estudos culturais em torno do transumanismo, aquele movimento que usa tecnologias e novas ferramentas aplicadas na fisiologia humana para curar doenças e otimizar a qualidade de vida. Vamos explorar esse tema nas próximas colunas, mas, quando falamos nisso, o que posso dizer é: não sou ninguém para afirmar que a ciência vai, um dia, alcançar a imortalidade. Mas, certamente, nesse mundo caótico em que nos encontramos, tudo o que for criado para vivermos melhor, é mais do que bem-vindo. É urgente e necessário.

Igor Zahir é jornalista, escritor e crítico cultural. Este texto foi publicado originalmente na coluna do Jornal Vanguarda, de Caruaru, no dia 16 de março de 2019.

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